A hidronefrose é uma condição caracterizada pela dilatação dos rins devido ao acúmulo de urina, causada por obstruções, refluxo urinário ou alterações congênitas. Embora muitos casos possam ser acompanhados sem necessidade de intervenção cirúrgica, algumas situações exigem tratamento cirúrgico para evitar complicações, como infecções recorrentes, dor intensa e comprometimento da função renal.
📌 Quando a cirurgia é necessária?
Nem todos os casos de hidronefrose requerem cirurgia. Em situações leves a moderadas, a condição pode ser apenas monitorada, pois a dilatação pode regredir espontaneamente, especialmente em bebês e crianças pequenas.
Por outro lado, a intervenção cirúrgica pode ser indicada quando:
✅ A hidronefrose aumenta progressivamente, comprometendo o funcionamento dos rins.
✅ O paciente apresenta infecções urinárias frequentes, causando febre e desconforto.
✅ Há dor intensa e persistente no flanco ou no abdômen.
✅ Exames de imagem revelam obstrução urinária severa.
✅ Há risco de perda permanente da função renal.
Nestes casos, a cirurgia tem o objetivo de desobstruir o fluxo urinário, preservar o rim e aliviar os sintomas do paciente.
📌 Principais cirurgias para hidronefrose
Dependendo da causa e da gravidade da hidronefrose, o especialista pode indicar diferentes técnicas cirúrgicas. Entre as mais utilizadas, destacam-se:
1️- Pieloplastia: A cirurgia mais comum para hidronefrose
🔹 Indicação: Obstrução da junção ureteropiélica (JUP), um estreitamento no ponto onde o rim se conecta ao ureter.
🔹 Como funciona: O cirurgião remove a área obstruída e reconecta o ureter ao rim, permitindo o fluxo normal da urina.
🔹 Técnicas utilizadas:
✔️ Pieloplastia aberta: Incisão abdominal maior, indicada para casos mais complexos.
✔️ Pieloplastia laparoscópica: Técnica minimamente invasiva, com pequenas incisões.
✔️ Pieloplastia robótica: Uso de robôs para maior precisão cirúrgica e recuperação mais rápida.
📌 Vantagens da pieloplastia:
✅ Altas taxas de sucesso (acima de 90%).
✅ Permite a preservação total da função renal.
✅ Procedimento seguro e bem estabelecido.
Recuperação: O paciente geralmente recebe alta após 2 a 3 dias, e a recuperação completa ocorre entre 4 a 6 semanas.
2️- Reimplante ureteral: Correção do refluxo vesicoureteral e megaureter obstrutivo.
🔹 Indicação: Pacientes com refluxo vesicoureteral, onde a urina retorna da bexiga para os rins, causando infecções urinárias repetidas e risco de dano renal.
🔹 Como funciona: O ureter é reposicionado e reconectado à bexiga, corrigindo o fluxo inadequado da urina.
🔹 Técnicas utilizadas:
✔️ Cirurgia aberta: Método tradicional com maior exposição anatômica.
✔️ Cirurgia minimamente invasiva (endoscópica): Uso de agentes injetáveis para evitar o refluxo da urina.
📌 Vantagens do reimplante ureteral:
✅ Previne danos renais causados por infecções repetidas.
✅ Reduz significativamente o risco de complicações futuras.
✅ Pode ser realizado com técnicas minimamente invasivas, reduzindo o tempo de recuperação.
Recuperação: A internação pode variar entre 2 a 5 dias, e a cicatrização completa ocorre em até 6 semanas.
3️- Ureterostomia temporária: Alívio da pressão nos rins
🔹 Indicação: Casos de hidronefrose grave em recém-nascidos ou pacientes com insuficiência renal progressiva.
🔹 Como funciona: O cirurgião cria uma abertura no ureter para desviar a urina temporariamente, reduzindo a pressão sobre os rins.
🔹 Técnicas utilizadas:
✔️ Ureterostomia cutânea: Desvio da urina para fora do corpo, por meio de um estoma.
✔️ Colocação de cateter duplo J: Tubo interno temporário para manter o ureter aberto.
📌 Vantagens da ureterostomia:
✅ Evita a progressão do dano renal até que uma cirurgia definitiva possa ser realizada.
✅ Pode ser um tratamento temporário antes da pieloplastia.
Recuperação: A recuperação inicial ocorre em poucos dias, mas o paciente precisará de acompanhamento para planejamento da cirurgia definitiva.
4️- Nefrectomia: Quando o rim precisa ser removido
🔹 Indicação: Casos extremos em que o rim está severamente danificado e não há possibilidade de recuperação da função renal.
🔹 Como funciona: O rim doente é removido, e o paciente pode viver normalmente com o rim saudável remanescente.
🔹 Técnicas utilizadas:
✔️ Nefrectomia aberta: Incisão maior no abdômen ou nas costas.
✔️ Nefrectomia laparoscópica: Técnica minimamente invasiva com recuperação mais rápida.
📌 Vantagens da nefrectomia:
✅ Quando necessária, evita complicações graves, como infecções generalizadas e insuficiência renal.
✅ Pode proporcionar qualidade de vida quando o rim afetado já não desempenha sua função adequadamente.
Recuperação: O paciente pode precisar de 5 a 7 dias de internação, e o tempo de recuperação total pode levar de 4 a 8 semanas.
📌 Pós-operatório e cuidados essenciais
Após a cirurgia, é fundamental seguir algumas recomendações para garantir uma recuperação segura:
✅ Repouso absoluto nos primeiros dias.
✅ Hidratação adequada para auxiliar o funcionamento renal.
✅ Uso de medicamentos conforme prescrição médica (antibióticos, analgésicos).
✅ Evitar atividades físicas intensas por pelo menos 4 a 6 semanas.
✅ Acompanhamento médico regular para avaliar a função renal.
Fique atento a sinais de alerta como febre alta, dor intensa e alteração no fluxo urinário. Caso ocorram, procure atendimento médico imediatamente.
Os avanços na cirurgia urológica permitem que a hidronefrose seja tratada com segurança e eficácia, garantindo melhor qualidade de vida para os pacientes. O sucesso do tratamento depende de um diagnóstico precoce, escolha da técnica adequada e acompanhamento especializado.
Se você ou alguém próximo foi diagnosticado com hidronefrose e tem dúvidas sobre a necessidade de cirurgia, procure um especialista para avaliação detalhada. O tratamento correto pode evitar complicações e garantir a preservação da função renal.