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Por que os homens são mais atingidos pela estenose de uretra?

A estenose de uretra é uma condição urológica que consiste no estreitamento anormal da uretra, canal responsável por transportar a urina da bexiga até o meio externo. Embora possa acometer homens e mulheres, é no público masculino que a incidência é significativamente maior — uma diferença que desperta dúvidas entre pacientes e até mesmo profissionais de saúde.

A explicação começa com a diferença anatômica entre homens e mulheres. Enquanto a uretra feminina mede, em média, 3 a 5 centímetros, a uretra masculina é muito mais longa, podendo atingir entre 15 e 20 centímetros, passando por diversas regiões do corpo (peniana, bulbar, membranosa e prostática).

Essa extensão torna a uretra masculina mais suscetível a lesões, traumas e inflamações. Além disso, ela está exposta a mais fatores externos e procedimentos que podem prejudicar sua estrutura, como o uso de sondas, cirurgias ou acidentes na região genital e perineal.

Outro fator relevante é a frequência de traumas urológicos em homens, especialmente relacionados a:

Quedas sobre o períneo (por exemplo, em atividades esportivas ou acidentes com bicicleta e motocicleta);

Cateterismos uretrais repetidos ou mal executados (introdução de sondas pela uretra, comum em internações hospitalares);

Cirurgias prostáticas, como a RTU (Ressecção Transuretral da Próstata);

Procedimentos endoscópicos, que mesmo sendo seguros, podem gerar lesões uretrais em casos mais complexos.

Esses eventos podem causar lesões na mucosa da uretra e, com o processo de cicatrização, levar à formação de tecidos fibrosos que reduzem o diâmetro do canal, dificultando a passagem da urina.

A uretrite, inflamação da uretra, geralmente causada por infecções sexualmente transmissíveis (como gonorreia ou clamídia), é outra causa comum de estenose em homens.

Mesmo após o tratamento da infecção, podem permanecer cicatrizes na parede uretral, que evoluem para estreitamento ao longo do tempo. Em alguns casos, doenças inflamatórias crônicas, como o líquen escleroso (mais raro, mas agressivo), também estão associadas a estenoses severas e progressivas.

Embora menos frequente, há casos de estenose congênita, em que o homem já nasce com uma alteração no calibre uretral. Além disso, com o avanço da idade, aumentam as chances de procedimentos invasivos, uso de sonda e doenças urológicas, o que eleva o risco de estenose.

Isso explica por que a prevalência da condição é maior em homens acima dos 50 anos, embora também possa acometer jovens e até adolescentes, especialmente após traumas ou infecções mal tratadas.

A estenose de uretra é mais comum nos homens por razões anatômicas, clínicas e comportamentais, mas o que não pode ser comum é ignorar os sintomas. Quanto antes o problema for identificado e tratado, maiores as chances de recuperação completa, com qualidade de vida e função urinária preservadas.